7 de set de 2016

O MNU tem história

Série: Esta em nossos Jornais

Como é corrente falar atualmente no Movimento Negro: "Estamos por nossa própria conta"



E cabe a nós, conhecermos nossa militância, resgatar e valorizar nossa história, revitalizando nossa luta e comprometimento com tudo o que já foi trilhado.

Nossa história, contada por nós mesmos, curtida e compartilhada para que a visibilidade das redes sociais possibilite ao maior número possível de negras e negros no Brasil, conhecê-la e entender que nossos passos vêm de longe, mas a luta sempre está começando.

Reproduzimos a seguir uma parte da entrevista do então Deputado Marcelo Dias ao Jornal do Movimento Negro Unificado ( Jan/Fev/Março de 1991, pag 8 e 9)

"J MNU - Marcelo,  fala um pouco sobre sua trajetória no movimento negro ?
M Dias - Minha militância no MN se dá a partir de 1977, quando nós tomamos conhecimento, um grupo de jovens negros da Leopoldina,  região em que moro, tomamos conhecimento do massacre de Soweto, África do Sul, em 1976.
Aquilo faz a gente despertar para a questão racial e eu me juntei ao Grupo Axé da Leopoldina.
Era um Grupo de Teatro que desenvolvia um trabalho nas comunidades faveladas.
Em 1978, o grupo apresentou uma Peça no IPCN que relembra os dez anos da morte de Luther King.

J MNU - Marcelo,  com a penetração que você tem no meio sindical reforçada agora pelo mandato parlamentar,  você pretende também organizar seminários,  como esse da Assembléia Legislativa,  envolvendo a militância  ?
M Dias - O sindicato dos Metroviários é o único sindicato do Rio de Janeiro que tem tido uma preocupação com essa questão. Em 1987, nós organizamos um debate sobre a questão racial, Jurema foi inclusive uma das palestrantes.  Em 1988, o sindicato participou da "Grande Marcha Contra a Farsa da Abolição". De 1987 para cá,  fizemos pelo menos três encontros na categoria sobre a questão racial. É preciso que a classe trabalhadora negra comece a se assumir enquanto tal. Se os partidos não absorvem está questão,  sindicato então nem se fala, é muito difícil mesmo.
Os dirigentes sindicais tiveram uma formação dentro da esquerda tradicional,  que sempre colocou que a questão do negro seria resolvida depois da Revolução, assim como a questão da mulher.
E vimos como isto serviu para que esses movimentos fossem utilizados para os interesses dessa esquerda tradicional.
E eu acho que chegou o momento,  com essas novas lideranças que tem o movimento negro hoje, de a gente mostrar para esses partidos que ou eles vêem o negro como um segmento dirigente do processo revolucionário,  ou não se vai fazer a Revolução neste país.
Ou, se a Revolução vier a ser feita com a ausência dos negros, será apenas uma Caricatura de Revolução."


Obs: A entrevista completa está Jornal do MNU mencionado ao início

                              


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