27 de mar de 2012

Fashion Mall - Urgente!!!


Shopping Fashion Mall

 

São Conrado- RJ

Urgente!!!

Parabéns Marcelo Dias e todo Movimento Negro do Rio de Janeiro:

 IPCN,
CEDINE,
CONDEDINE,
CEPIR E
CIR/OAB/RJ .

 Fiquemos atentos ao desenrolar.......do IMPORTANTE encontro para todo Movimento Negro do Brasil.







25 de mar de 2012

Ministro do STF arquiva ação contra cotas para negros em universidades

Ministro do STF arquiva ação contra cotas para negros em universidades


24/03/2012 - 10h40
Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou nesta semana uma ação contra lei do Rio de Janeiro que instituía cotas para negros em universidades fluminenses. A ação não chegou a ser analisada no mérito e foi descartada por um critério técnico, já que a lei em questão, de 2003, foi substituída por uma mais recente, de 2008.
A ação foi ajuizada em 2004 pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). A entidade discordava da lei que reservava 45% das vagas em universidades públicas estaduais do Rio para estudantes carentes, sendo 20% para negros, 20% para estudantes da rede pública de ensino estadual e 5% para pessoas com deficiências e integrantes de minorias étnicas.
Segundo a Confenen, a lei discriminava estudantes de colégios públicos de outros estados, assim como os candidatos carentes das escolas particulares e os candidatos pobres que não eram negros. Outro argumento usado para atacar a lei é que apenas a União pode legislar sobre diretrizes e bases para a educação nacional.
Para impedir o julgamento do caso, o Ministério Público sugeriu que as entidades interessadas se engajassem na aprovação de outra norma semelhante para substituí-la. A nova lei foi aprovada em 2008 sem a limitação das vagas para a rede pública do Rio de Janeiro.

Ao arquivar o processo nesta semana, Celso de Mello lembrou que o assunto das cotas não está encerrado, já que há pelo menos outras três ações sobre o mesmo tema no STF. Uma delas, de autoria do DEM, questiona o sistema de cotas aplicado em instituições do país, em especial na Universidade de Brasília (UnB).

Há também o recurso de um estudante do Rio Grande do Sul que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas de seu estado e uma ação de inconstitucionalidade que começou a ser julgada em 2008, mas que teve a análise interrompida por um pedido de vista. Neste processo, a Confenen e o DEM questionam a legalidade do programa Universidade para Todos, sistema de cotas implantado pelo governo federal.
A diversidade de opiniões sobre a efetividade do sistema de cotas no ensino motivou uma série de audiências públicas no STF em março de 2010. Durante três dias, cerca de 40 especialistas da área defenderam os prós e os contras da ação afirmativa.

Para o advogado Humberto Adami, que representou diversas entidades interessadas no processo arquivado nesta semana, a demora de quase uma década no julgamento no STF acabou promovendo o amadurecimento do sistema. “Isso permitiu a evolução da experiência da ação afirmativa para negros no país, sem qualquer interrupção de ordem judicial que paralisasse a experiência que hoje floresce com êxito em mais 150 instituições de ensino no país.”



Edição: Lílian Beraldo

13 de mar de 2012

Fashion Mall - clube segregacionista.

Será que o classudo Shopping em São Conrado

virou um clube racista?



Conversava com o roteirista e diretor
Rafael Dragaud, de “Conexões urbanas”,
sobre sua mudança de residência,
de um pequeno apartamento no
Leblon, entre a Cruzada São Sebastião e o Jardim
de Alah, para uma casa em São Conrado,
nos altos das Canoas, na fronteira também
com uma pequena comunidade. Rafael me
contava, horrorizado, as cenas que tem presenciado
no Fashion Mall — shopping que
passou a frequentar mais desde que se mudou
— e que o fazem refletir sobre o quanto
somos, ainda, escravocratas.
A primeira cena foi de uma moça com biótipo
nordestino que passeava com três crianças
de pele bem clara, como seus cabelos e
seus olhos. Um segurança negro e alto a abordou,
com educação. Numa localização estratégica,
Rafael, que tem o hábito de observar,
na moita, esses enclaves comportamentais,
viu tudo, como um antropólogo.
Percebeu, inclusive, o constrangimento do
segurança, de origem humilde, e seu esforço
para encontrar um modo de falar que não ofendesse
a moça, ao lhe perguntar qual o grau de
relação que tinha com aquelas crianças.
Ao confirmar suas suspeitas – a mulher era
babá da prole de algum casal que, naquele
momento, fazia compras ou trabalhava – o segurança
pediu que se encaminhasse para algum
misterioso destino, esperou que ela desaparecesse
e passou um rádio para assegurar
o procedimento. O fato: ela não podia ficar
ali sem o uniforme de serviçal.
O Fashion Mall, não é novidade, tornou-se
, em certos dias e horários, o shopping das babás
uniformizadas conduzindo crianças de
classe AAA, acompanhadas ou não dos pais, e
carregando também as compras. Há momentos
em que poderíamos jurar que estamos no
set de “Histórias cruzadas”, o filme da Disney
que mostra como eram tratadas as domésticas
e babás (normalmente, elas faziam todas
as funções) no Sul racista, na transição para a
conquista dos direitos civis dos negros.
A diferença é que aqui, como nos ensinara
Caetano em “Haiti”, o preto é sinônimo de pobre:
pode ser branco, nordestino, caboclo, índio,
é tudo preto, tudo preso, e o nosso apartheid
hoje é mais social do que racial, embora
sua herança seja escravocrata. O Rio de Janeiro,
que na Abolição votou 100% contra, é até hoje
craque em preconceito social e segregação,
como se pode exemplificar na outra cena que
Rafael presenciou, ao entrar, com sua mulher,
numa sessão de “O espião que sabia demais”.
Numa das fileiras de trás, estava um desses
yuppies de cabelinho penteado pro lado, que Rafael
reconhecera, na entrada, de uma outra ocasião,
quando o mesmo mandara demitir alguém
pelo celular, aos gritos, enquanto comprava vinhos
numa dessas adegas, e depois pegara a
chave com o guardador sem olhá-lo na face.
Pois, o yuppie, com sua turma, tacava a maior
zona, falando alto, consultando celular, aquela
falta de educação característica de quem tem
berço mas não tem caráter. Uma mulher, próxima
a eles, em companhia do marido, reclamou.
— Por favor, silêncio! A gente pagou pra assistir
ao filme!
O Sr. Riquinho soltou um ganido de gazela:
— Ihhhhh... olha só.... olha a audácia... Pelo
jeito, não tem dinheiro pra vir ao cinema, não
vem nunca, daí dar tanta importância pra essa
merda.
— Que absurdo! Eu ralo o mês inteiro pra
ganhar meu dinheiro honesto e ainda tenho
que ouvir isso!
O yuppie se dirigiu à mulher como a um
cão.
— Psssssst.... ca-la-da! Ca-la-da!
Foi quando o marido da cidadã resolveu se
pronunciar. Levantou-se e se posicionou na
direção do ofensor.
— Escuta, você está mesmo mandando a
minha mulher calar a boca? Você está mesmo
com disposição de resolver isso comigo fora
da sala?

Como qualquer covarde pusilânime, o rico
mimado sem classe pôs o rabo entre as pernas
e desistiu de confrontar o casal trabalhador
(o clichê é consciente e proposital).

O que está por trás da orientação, decerto
ilegal, que proíbe babás não uniformizadas de
caminhar por um shopping com os filhos de
seus patrões?

O que está na cabeça de quem administra o
Fashion Mall, que andou perseguindo o filho de
criação de Caetano, expulso do local por seguranças,
acusado de “atitude suspeita”, talvez
pela cor da pele e o trato rasta do cabelo?

Não estaria na hora de se cobrar, na Justiça,
de acordo com o código penal, a impropriedade
desses procedimentos? Ou seriam apenas
“atitudes isoladas”?
Os shoppings, para muitos, se tornaram
bairros, cidadelas, “comunidades”, e já há
grandes estabelecimentos do gênero em todas
as regiões da cidade e do estado.
Há, inclusive, shoppings na Zona Sul onde se
nota que a pluralidade é não apenas tolerada,
mas desejada, como o Shopping Leblon, que,
mesmo tirando onda de chique, tem suas galerias
e lojas percorridas por madames e moradores
da Cruzada, babás de jeans e empresários,
Hells Angels e motoboys, sem que pareçam,
uns, se incomodarem com os outros.
Ao contrário, a impressão que se tem é de se
estar, do ponto de vista do cosmopolitismo, numa
Avenida Copacabana, com todo o respeito e
no melhor sentido do endereço. No Rio Sul e no
Botafogo Praia Shopping também se respiram
esses ares de boa mistura igualitária, mesmo
que as carteiras, as contas bancárias e o poder
de compra tenham diferenças consideráveis.
Vitrines são para todos e, para os menos abastados,
sempre sobra algum fruto do suor para
se fazer um agrado, a si ou ao próximo.

O que há com o Fashion Mall para investir nessa
abominável vertente de clube segregacionista?

Um bom tema para reflexão (e para providências)
na semana em que a cidade faz aniversário.




5 de mar de 2012

CARTA DO QUILOMBO DE RIO DOS MACACOS-BAHIA

CARTA DO QUILOMBO DE RIO DOS MACACOS-BAHIA

Quilombo Rio dos Macacos,Bahia, 05 de março de 2012

Para nossas comunidades, o Território possui um significado completamente diferente da que ele apresenta para a cultura ocidental hegemônica. Não se trata apenas da moradia, mas sim do elo que mantém a união do grupo, e que permite a transmissão de nossa história, nossos cantos e danças, forma de plantar e colher, de geração em geração, possibilitando a preservação da nossa cultura, dos valores e do modo peculiar de nossas vidas enquanto comunidade étnica.
Sabemos que há mais de três séculos, as comunidades quilombolas são vítimas de violentas campanhas do Estado Brasileiro, que objetiva espoliar os nossos territórios, destinando vastas extensões das terras ao agronegócio, por meio de chacinas, assassinatos e despejos violentos, um verdadeiro genocídio!
Nós, das diversas comunidades quilombolas signatárias de todo  Brasil, vimos por meio deste, denunciar à sociedade brasileira e ao mundo a forma brutal como o Estado Brasileiro tem nos tratado, onde, em pleno século XXI, o governo brasileiro  reedita as medidas sociopolíticas que patrocinam a destruição sistemática dos nossos modos de vida, através de supressão física e opressão cultural.
 O Governo Lula chegou ao seu último ano de mandato emitindo apenas 11 títulos às comunidades quilombolas, com a promessa de que seriam 57 comunidades em 2010.[1] Até dezembro de 2011, somente 3 das 44 áreas decretadas para desapropriação haviam sido tituladas pelo governo federal. As comunidades beneficiadas foram Família Silva (RS), Colônia São Miguel (MS) e Preto Forro (RJ). A primeira teve suas terras parcialmente tituladas em 2009 e as outras duas em 2011.[2]
 No novo PPA (2012-2015), já sob o governo Dilma, as comunidades quilombolas não mais contam com um programa específico; na transição para o novo PPA não mais existe o programa Brasil Quilombola. O novo programa, denominado Enfrentamento ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial, e que tem na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial-SEPPIR o órgão gestor responsável tem para o ano de 2012, um orçamento no valor de R$ 73,125 milhões, e para os três anos seguintes, mais R$ 239,498 milhões, totalizando no período de 2012-2015 cerca de R$ 312,623 milhões. Considerando-se os números apresentados, um orçamento ainda menor que o anterior (2008-2011).[3] 

Além dos números apresentados, a política adotada pelo Estado Brasileiro em relação às nossas comunidades é pautada pela barbárie, operada através do uso abusivo da máquina estatal, leis, bens públicos, força repressiva e expropriação dos recursos que seriam de toda a coletividade. Tecnologia há mais de três séculos solidamente instalada e tendo como sua principal base de sustentação o controle do acesso à justiça.[4]

Nas últimas décadas, como forma de enfrentar a organização política da comunidade Rio dos Macacos e da solidariedades de muitos grupos da Bahia e do Brasil, a Marinha protagonizou inúmeras ações violentas a exemplo do assédio diário à comunidade com dezenas de fuzileiros armados; invasão de domicílios atentando contra os direitos das mulheres; uso ostensivo de armamento exclusivo das forças armadas criando verdadeiros traumas em crianças, adolescente e idosos, que tiveram casas invadidas e armas apontadas para as suas cabeças; em 04 de março de 2012, uma semana após realização de audiência com a presença da Secretaria Geral da Presidência da República, o quilombola Orlando sofreu atentado contra sua vida, quando um fuzileiro naval disparou tiro contra o mesmo, com o intuito de matá-lo, quando este chegava em Rio dos Macacos. Além, há severo impedimento das atividades econômicas tradicionalmente desenvolvidas pela comunidade, como a agricultura e a pesca de subsistência como forma de inviabilizar a permanência no território. Um saldo desse conflito desigual se evidencia no grande número de crianças, adolescentes e adultos que foram impedidas ou que foram forçadas a desistir de frequentar a escola. Na comunidade de Rio dos Macacos, dois fuzileiros ficavam de prontidão num ponto denominado pela comunidade como “barragem” para impedir a saída e entrada de pessoas, e quem insistiu foi espancado, preso e humilhado publicamente como castigo exemplar. Desde a década de 1970 que mais de 50 famílias foram expulsas do território e se mantém alto nível de hostilidade aos que permaneceram resistindo. A disputa não se dá apenas no campo objetivo, pois a Marinha, ao destruir quatro terreiros de Candomblé em Rio dos Macacos, também estabeleceu uma guerra contra a sustentação simbólica, que incide diretamente no ataque à memória, à cultura e às tradições, elementos fundamentais à identidade quilombola. Outra comunidade quilombola, Tororó, vizinha ao Rio dos Macacos, também tem sofrido com o mesmo processo de violência, realizada pela Marinha do Brasil. 

No território quilombola da Ilha da Marambaia, no Rio de Janeiro,  encontramos um verdadeiro Estado de Sítio. A administração militar da ilha instaurou, a partir de 1971, um regime de proibições que decorrem da sobreposição de algumas figuras legais, cuja aplicação local é ambígua e até mesmo distorcida: área de interesse militar- freqüentemente confundida com Área de Segurança Nacional; Área de Preservação Ambiental (APA) – pensada como área de uso exclusivo para pesquisa científica (Reserva); e área de patrimônio da União – tomada como Patrimônio Histórico Nacional. Lançando mão da sobreposição e confusão dessas categorias, os administradores da ilha criam um verdadeiro território de exceção, que busca dar aparência legal e justificação legítima à estrutura de precariedades criadas em torno da posse territorial que quase 300 famílias quilombolas mantêm na ilha há três gerações.[5]
No norte de Minas Gerais, a Comunidade Quilombola de Brejo dos Criolos enfrenta latifundiários violentos todos os dias. Reconhecida desde 2004 como Comunidade Quilombola, depois de 6 anos de espera. Em razão desta lentidão, foram realizadas desde 2005 até os tempos atuais seis re-ocupações de terras, sendo que em três, o conflito intermediado pela Procuradoria da Republica em Minas Gerais, propiciou a permanência nas áreas ocupadas. E em uma delas, dado que foi solicitada ao juiz da comarca a manutenção da posse da terra retomada, cuja representação foi alicerçada na afirmação constitucional de que estando “ocupando as suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir- -lhes os títulos respectivos.[6] Para a emissão do decreto de desapropriação ( o único emitido pelo Governo Federal em 2011!), centenas de quilombolas acamparam e se acorrentaram diante do Palácio do Planalto em setembro de 2011. Registra-se ainda a violência permanente sofrida pelos Quilombolas Theodoro e Ventura, na serra do Salitre, Pato de Minas, com lideranças ameaçadas de morte.

No Maranhão, a Anistia Internacional, diante da violência contra os quilombolas de Salgado, Território Aldeia Velha,Pirapemas, lançou Ação Urgente em defesa da mesma em dezembro de 2011. Como em outras comunidades afrodescendentes no Maranhão, a comunidade de Salgado tem sofrido intimidação e ameaças persistentes, por poderosos proprietários de terras locais, em consequência de sua longa luta para ter as suas terras tituladas. Em 3 de dezembro de 2011, membros da comunidade descobriram que 18 animais pertencentes à liderança quilombola Zé da Cruz foram envenenados e mortos, resultando em grande perda para sua família. No final de agosto, um pistoleiro local disparou na direção da casa de José da Cruz, matando um animal. Em 14 de Dezembro, José da Cruz e outros membros da comunidade encontraram um recipiente de herbicida no poço usado pelas famílias de Salgado. Em 22 de dezembro, um pistoleiro havia sido contratado para matar Zé da Cruz, enquanto dois homens armados foram vistos patrulhando os arredores da comunidade. O processo desapropriatório tramita no INCRA há 12 anos.

No Rio Grande do Sul, as famílias do Quilombo do Morro Alto, desde 2004, esperam que o Incra complete a regularização e devolução do território aos Quilombolas. Em 2011, quando deveriam ocorrer as notificações dos ocupantes não quilombolas, ligados ao agronegócio, para indenização e saída da área dos mesmos, ilegalmente o processo foi remetido ao presidente nacional do Incra, sem nenhuma consulta às famílias. Em razão da lentidão do governo federal, a violência no quilombo somente aumentou. Grileiros que invadem o território quilombola a mando de grandes proprietários têm provocado conflitos físicos com membros da comunidade e no dia 12 de outubro de 2011, o presidente da Associação dos Moradores do Quilombo de Morro Alto, Wilson Marques foi agredido e recebeu um tiro que pegou de raspão em sua cabeça. Imaginando que o quilombola estivesse morto, os agressores fugiram.
Nos meandros deste sistema de concentração de terra, a violência empregada pelo Estado brasileiro tornou-se um instrumento tão efetivo de controle e coerção, quanto à única forma de comunicação entre as estruturas de governo e as nossas comunidades. A força bruta e os constrangimentos físicos constituíram-se numa forma de relação legitimada, de maneira explícita, pelos aparatos de poder.
Evidente, pois, que a ação oficial, nesses casos, padece de uma espécie de racismo institucional, embutido nas práticas de seus operadores. O resultado é uma tomada de partido de parte dos técnicos pela lógica dos proprietários de terra ou de grandes empreendimentos.[7]

Nós, Comunidades Quilombolas signatárias, não aceitamos esse estado de coisas, que mata e violenta nosso povo!!

Desta forma, exigimos, de acordo com o Artigo 68 ADCT/CF, Convenção 169 da OIT, Decreto Federal 4887/2003:

Desistência dos 3 processos judiciais movidos pela União/Marinha contra a Comunidade Quilombola de Rio dos Macacos;

Finalização do RTID de Rio do Macacos com a o prazo de 3 meses, a contar da data desta Carta e imediata publicação do mesmo no Dário Oficial da União;

Que o INCRA e a Fundação Cultural Palmares cumpram com seu dever de defesa da comunidade quilombola de Rio dos Macacos em conflito com a Marinha em todas as esferas;

Elaboração dos 34 RTID’s das comunidades quilombolas do Maranhão no ano de 2012, conforme acordo estabelecido entre o Moquibom-Maranhão e INCRA Nacional durante o Acampamento Negro Flaviano, em 2011;
Conclusão dos processos de regularização fundiária, com a notificação dos ocupantes não quilombolas de Morro Alto/RS, imediatamente e conclusão do processo de regularização com a edição do Decreto de desapropriação por interesse social;

Titulação dos territórios quilombolas da Pedra do Sal e Marambaia;


Proteção às lideranças quilombolas ameaçadas de morte em todo o Brasil, por meio dos Programas Estaduais e Federal de Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos;

Presença da Comissão Externa da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, constituída em 2011, cujo objetivo é avaliar as violações dos direitos humanos nas comunidades quilombolas, prioritariamente na Bahia e, seguidamente, no Maranhão, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro;

Pela não aprovação da PEC 215, a tramitar no Congresso Nacional, que visa tornar de competência exclusiva do Congresso nacional a demarcação de terras de índio e de quilombos;

Pelo indeferimento da ADIN 3239, do Democratas-DEM, que visa declarar inconstitucional o decreto federal 4887/2003;

Pela não aprovação do Projeto de Lei nº 44/2007 de autoria do deputado federal Valdir Colato (PMDB-SC), que visa sustar a aplicação do decreto federal 4.887/2003;

Pela agilidade do processo de certificação das Comunidades Quilombolas pela Fundação Cultural Palmares;

Reiteraramos a Nota Pública editada pela MALUNGU- Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará, no que se refere à proposta do Governo Federal de Regulamentação do Direito da Consulta Prévia estabelecido pela Convenção 169-OIT, visto que o formato de discussão proposta pelo Governo possui caráter excludente em relação à grande maioria das comunidades quilombolas e indígenas do País;



Assinam


Comunidade Quilombola Rio dos Macacos-BA
Comunidade Quilombola Aldeia Velha-MA
Comunidade Quilombola do Charco-MA
Comunidade Quilombola de Cruzeiro-MA
Comunidade Quilombola de Pericumã-MA
Comunidade Quilombola de São Caetano-MA
Comunidade Quilombola de Bom Jesus-MA
Comunidade Quilombola de Carro Quebrado-MA
Comunidade Quilombola de Açude-Ma
Comunidade Quilombola de Brasília-Ma
Comunidade Quilombola de Ponta-Ma
Comunidade Quilombola de Nazaré-MA
Comunidade Quilombola de Mondego-Ma
Comunidade Quilombola de Cedro-Ma
Comunidade Quilombola de Lacral/Espírito Santo-MA
Comunidade Quilombola de Tijuca-Ma
Comunidade Quilombola de Achuí-MA
Comunidade Quilombola de Engole-MA
Comunidade Quilombola de Rio Grande-Ma
Comunidade Quilombola de Ramal de Quindiua-MA
Comunidade Quilombola de Mafra-Ma
Comunidade Quilombola de Bitiua-MA
Comunidade Quilombola de Mutaca-Ma
Comunidade Quilombola de Maiabi-Ma
Comunidade Quilombola de Boa Vista-Ma
Comunidade Quilombola de Rosário dos Pretos-MA
Comunidade Quilombola de Mariano dos Campos-Ma
Comunidade Quilombola de Conceição-Ma
Comunidade Quilombola de Aliança/Santa Joana-Ma
Comunidade Quilombola de Sumaúma-MA 
Comunidade Quilombola dos Silva-RS
Comunidade Quilombola do Fidelix-RS
Comunidade Quilombola do Morro Alto-RS
Comunidade Quilombola Candiota-RS
Comunidade Quilombola Palmas-RS
Comunidade Quilombola Picada das Vassouras-RS
Comunidade Quilombola Várzea dos Baianos-RS
Comunidade Quilombola de Solidão-RS
Comunidade Quilombola Várzea do Candiota-RS
Comunidade Quilombola Teodoro/Ventura-MG
Comunidade Quilombola da Pedra do Sal-RJ


Subscrevem:

Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas
Comissão Pastoral da Terra-MA
Movimento Quilombola do Maranhão-MOQUIBOM
GT Nacional MNU de Luta, Autônomo e Independente
Casa do Boneco – Itacaré-BA
Campanha Somos Tod@s Quilombo Rio dos Macacos
CSP-CONLUTAS












[1] Conforme destaca o INESC, o Plano Plurianual (PPA) 2008-2011 previu como meta a titulação de 264 territórios quilombola, dos quais 198 somente entre 2008-2010. Passados três anos de implementação da Agenda Social Quilombola (2008-2010) foram emitidos apenas 36 títulos de terra, número bastante aquém da meta estabelecida em 2007.


[2] Terras Quilombolas. Balanço 2011. Comissão Pró-Índio de São Paulo, disponível em http://www.cpisp.org.br/email/balanco11/img/Balan%C3%A7oTerrasQuilombolas2011.pdf

[3]  Terras e territórios quilombolas no PPA 2012-2015


[4] Leite, Ilka Boaventura. Humanidades Insurgentes:Conflitos e criminalização dos quilombos. In. Cadernos de debates Nova Cartografia Social: Territórios quilombolas e conflitos /Alfredo Wagner Berno de Almeida (Orgs)... [et al]. – Manaus: Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia / UEA Edições, 2010.


[5] Arruti, José Maurício. A NEGAÇÃO DO TERRITÓRIO: estratégias e táticas do processo de expropriação na Marambaia. In. Cadernos de debates Nova Cartografia Social: Territórios quilombolas e conflitos /Alfredo Wagner Berno de Almeida (Orgs)... [et al]. – Manaus: Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia / UEA Edições, 2010.


[6] Costa, João Batista de Almeida e Oliveira, Cláudia Luz de. NEGROS DO NORTE DE MINAS: DIREITOS, CONFLITOS, EXCLUSÃO E CRIMINALIZAÇÃO DE QUILOMBOS In. Cadernos de debates Nova Cartografia Social: Territórios quilombolas e conflitos /Alfredo Wagner Berno de Almeida (Orgs)... [et al]. – Manaus: Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia / UEA Edições, 2010.





[7] Andrade, Maristela de Paula. RACISMO, ETNOCÍDIO E LIMPEZA ÉTNICA –AÇÃO OFICIAL JUNTO A QUILOMBOLAS NO BRASIL 
.


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Neste momento Marinha Brasileira descumpri acordo e quer expulsar moradores do Quilombo do Macaco.

RIO DOS MACACOS RESISTE, MAS ESTAMOS TEMENDO A VIOLÊNCIA DE SEMPRE DA MARINHA DO BRASIL...

Marcada para a hoje, 04.03.2012, e suspensa por ação da Presidência da Republica (Secretaria Geral, SEPPIR e FCP), a tomada do Território do Quilombo Rio dos Macacos, ainda não foi assimilada pela Marinha do Brasil, que mesmo diante da suspensão insistir em tencionar e atentar contra os direitos da comunidade. A Marinha do Brasil não pode realizar esta ação hoje mas neste momento a comunidade está vivendo uma grande tensão, pois já tem mais de 03 caminhões de fuzileiros dentro da Comunidade, cada um com cerca de 80 homens, do lado de fora tem os militares da Bahia (que não podem entrar por se tratar de área federal) e 01 trator posicionado no portão da Vila Naval, área tomada da comunidade há 42 anos pela Marinha do Brasil. A Polícia Federal é a única instituição que pode cumprir a decisão desastrosa da 10ª Vara Federal na Bahia, mas está não irá em Rio dos Macacos, pois não pode agir acima das Leis. Qualificamos de desastrosa a decisão, porque a Comunidade de Rio dos Macacos não foi ouvida em qualquer fase do processo, estando a justiça agindo em um único pólo.

A Marinha do Brasil, não pode tomar o Território de Rio dos Macacos, porque ela como instituição Brasileira não está acima das demais instituições nacionais, vivemos sob a vigência do estado democrático e as instituições estão em funcionamento. Agindo com um modus operandi irreconhecível por instituições marcadas pela hierarquia e disciplina, ontem a noite (03.03.12) um senhor da comunidade sofreu um atentado contra sua vida, quando quase foi morto com um tiro em sua direção, dado por um membro da corporação, identificado pela comunidade. O caso foi registrado em uma delegacia da região.

O Artigo 68 da Constituição de 1988 e o Decreto 4887/2003, garantem os direitos da ocupação secular da Comunidade. Rio dos Macacos está naquele Território há mais de 238 anos e não pode ser derrotado, por um crime de uma instituição que, ao contrario, deve garantir e fazer valer as Leis do país, por isso precisamos das/dos jornalistas agora em Rio dos Macacos. Todo o mundo precisa saber, para impedir uma tragédia hoje em Salvador, aos nossos olhos.
Mandem essa nota para todas as pessoas possíveis, para todas as redes, não podemos ficar em silêncio diante da possibilidade de uma barbárie, O Brasil e o mundo precisam saber!
Nossa luta é todo dia!!!

Vilma Reis
Presidente do CDCN - Bahia
Profa. Sociologia - Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias
Campus XXIII, UNEB - Seabra
Coordenação Colegiada do Programa CEAFRO
CEAO: Centro de Estudos Afro-Orientais - FFCH/UFBA
Praça Inocêncio Galvão, 42, Largo 02 de Julho
Salvador/Bahia, Brasil, Cep.40.060-180
Tel. (55-71)3283-5520 , Fax.(55-71)3322-2517, Cel.(55-71)9994-3749
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Sobre o Quilombo Rio dos Macacos.  Nota Olodum 2012.


Penso que antes policiar posicionamento de organizações do movimento negro, seria  prudente agendar uma visita das pessoas e organizações ao segundo comando da Marinha que esta em Salvador.

Penso que todos os documentos referentes a este  tema devem vir a publico na internet,a  marinha já publicou sua nota. Onde esta o texto da reintegração de posse?  Qual o seu contéudo? Quem está tratando disto juridicamente?  A Constituição da Bahia é suficiente? A Constituição Federal é suficiente?

Além das organizações citadas por não estarem presentes com pessoas e com instrumentos etc, Temos a Fundação Palmares, a Seppir, a Sepromi, Senadores, deputados federais, estaduais, e além da vereadora Olivia vários vereadores ligados a luta contra o racismo. Que podem ajudar muito, junto ao Governador e a Presidente Dilma.

Não credito que o Olodum e o Ilê sejam responsaveis pelo racismo na Bahia e no Brasil, Muito pelo contrário temos sido o remédio contra este mal que faz até militantes desta luta repetir os chavões da sociedade  opressora.

Não precisamos de mídia neste campo para aparecer, precisamos de ação e resultados o que temos feito em 32 anos e 38 anos respectivamente.

Pelo visto já há um batalhão de pessoas e entidades que estão fazendo algo nesta descoberta sensacional e que há mais um quilombo no entorno de Salvador. Portanto mesmo acompanhando esta demanda e tantas outras que temos no dia a dia em uma cidade e um Estado cujo modelo de dominação é baseado no racismo institucional, não podemos aceitar eu levianamente se use o nome do Olodum e do Ilê para fazer proselitismo politico.

"Para muitos é facil gritar nos salões, na internet longe das lutas reais,  e vestir as roupas, falar as idéias do colonizador, contra seu próprio povo. A luta não é contra o Olodum, contra o Ilê, ou contra os grande terreiros de candomblé, a luta pela posse e manutenção da terra pelas  pessoas negras que lá estão.  Simples e básico.

Nós nos respeitamos, mais não podemos pedir respeito a quem nem sabe quem é. por quem luta, para quem luta e por que luta.

Olodumaré - 32 anos de luta por Direitos na Bahia.


05 pessoas baleadas por soldados da policia militar


02 músicos negros assassinados

João Jorge Santos Rodrigues
2012 - Ano internacional da energia sustentável para todos. ONU.
25 de Abril - 33 anos do Olodum - Samba Reggae e Cidadania.
Tema do carnaval 2013.- Samba. Futebol. Alegria - As raízes do Brasil