28 de mai de 2011

Conferência Mundial Aberta na Argélia

Minha fala na Conferência Mundial Aberta na Argélia –
 (27 a 29 de Novembro de 2010)

Por Milton Barbosa
Coordenador Nacional de Relações Internacionais do Movimento Negro Unificado.


É uma imensa satisfação estar nesta terra, onde Frantz Fanon escolheu para fazer revolução, nos ensinando que a pátria do revolucionário é o mundo.


Saúdo aos companheiros e companheiras nesta Conferência Mundial Aberta – dos Trabalhadores do Mundo.


Saúdo especialmente aos irmãos e irmãs do Haiti, país que realizou a única revolução vitoriosa de escravos na história da humanidade.


Por isso o imperialismo não aceita que o Haiti se viabilize.


Os haitianos derrotaram o exército imperialista mais poderoso da época. O exército de Napoleão Bonaparte.


Este é o significado do Haiti para a humanidade. Os países desenvolvidos, EUA, Inglaterra, França e outros não engolem esta derrota histórica.


O Haiti é um dos grandes exemplos de como se derrotar as forças capitalistas.


Viva o Haiti e sua revolução anti-escravista.


Não se aceita no Haiti nem mesmo um governo moderado, social democrata, como foi o de Jean Bertland Aristide, vítima de dois golpes de estado. No último em 2004, quando da preparação da Comemoração dos 200 Anos da Libertação do Haiti.


Entregamos à presidente eleita do Brasil, Dilma Roussef, uma carta pela retirada das tropas brasileiras do Haiti.


Leitura da Carta


Li a Carta Proposta para a Conferência da Argélia do Acordo Internacional dos Trabalhadores e acho  de fundamental importância a Luta Contra a Guerra e a Exploração.
Acrescento, que há necessidade de se lutar com a mesma força, contra a chamada Guerra de Baixa Intensidade, realizada pelos países imperialistas contra a juventude negra e pobre em seus países:EUA,Inglaterra, França, que tem a dimensão populacional das guerras convencionais. Inclusive em relação ao Brasil também há como nestes países, um processo de genocídio sobre a juventude negra e pobre.
No Brasil a juventude negra vem desenvolvendo Campanhas contra o extermínio desta juventude.
Violência Policial, Narcotráfico, são formas de eliminação da juventude negra e pobre, que morrem aos milhares a cada ano, jovens estes empurrados para o crime em função do desemprego, dos baixos salários, da desregulamentação do trabalho. Da falta de escolas, hospitais, e moradias decentes.
Doenças que estavam sobre controle, como tuberculose, desnutrição e outras , voltam a matar.
É necessário uma política internacional, revolucionária, organizada, dos povos em luta, contra esta ação nefasta da sociedade capitalista.
Nós, do Movimento Negro no Brasil, estamos definindo novos rumos na luta contra a opressão capitalista.
Estamos construindo a proposta de exigência de Reparação Histórica pelo processo de genocídio  criado e desenvolvido pelas classes capitalistas européias, que se abateu sobre a humanidade.
Genocídio quando da invasão da África, das Américas e da Ásia.
Genocídio na travessia do Atlântico dos africanos e africanas escravisados.
Genocídio no período da escravidão no Brasil e outros países, que explorou, torturou e matou.
Genocídio pós “Abolição da Escravatura” através da exploração racista, que desempregou milhões de pessoas não brancas, que pagou e paga baixos salários, mantendo-os desempregados, subempregados e, vítimas sistemáticas da violência policial racista.


REPARAÇÃO HISTÓRICA, COMO CAMINHO DE CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA SOCIEDADE.

27 de mai de 2011

POESIA - REAJA À VIOLÊNCIA RACIAL

Com muita alegria, divulgo a bela Poesia
do Miltão do MNU conclamando renovação de energia.

Délio Martins

RENOVANDO NOSSOS LAÇOS DE LUTA PARA 2011.
GRANDE ABRAÇO PARA TODA A MILITÂNCIA.
MILTON

              
REAJA À VIOLÊNCIA RACIAL
Por Milton Barbosa - Militão do MNU


Negro
se você não reagir
você será morto

morto socialmente
culturalmente
economicamente
psicologicamente
moralmente
precocemente

morto antes de nascer
ainda no ventre materno
será morto sem trabalho
sem escola
sem ter onde morar

não terá direitos
nem saúde
estará sempre acompanhado
da praga da embriaguez
da prostituição
empurrado para o crime

você será morto
nas prisões, nas ruas
no campo, nas cidades
por fome
por uma bala da polícia

morto sem história
com a angústia de não ter lutado
sua dignidade
estraçalhada

Milton Barbosa = Miltão do MNU  


React to Racial Violence

 
Black one
If you don`t react
you will be dead

Dead socially
culturally
economically
psychologically
Morally
precociously

Dead before birth
still in yor mother`s womb
You`ll be dead without work
without school
without having anywhere to live

You won`t have rights
or health
You will always be accompanied
by the curse of drunkenness
prostitution
pulled toward crime

You will be dead
In the prisions, in the streets
In the fields, in the cities
from hunger
from a police bullet

dead without history
with the anguish of not having fought
your dignity
stripped
of dignity

Milton Barbosa
SEGURE E LANCE !!!

MNU REAGINDO ONTEM E HOJE CONTRA A VIOLÊNCIA DO RACISMO. 
ATO DO TREM
DIA: 24/06
HORA: 16:00HS
LOCAL: CENTRAL DO BRASIL- TRENS DA SUPERVIA

NOSSA PROXIMA REUNIÃO MNU NUCLEO:
DIA: 04/06/11
HORA: 14:00HS
LOCAL: AMV-MANGUEIRA-ASSOCIAÇÃO MANGUEIRA VESTIBULARES (AMV), Rua

Visconde de Niterói, 254, Prédio do Relógio, Proximo a saida da Estação de Trem, Morro da Mangueira.
Saudações PanAfrakan
Asé
Na força do Leão
Mallak Alkebulan Kammiu (Nome espiritual e politico)
Cyro Garcia Junior (Nome colonizado)

26 de mai de 2011

Racismo nos tribunais

O número de casos de discriminação julgados no Brasil vem crescendo e a quantidade de acusados considerados inocentes também - quase 70% deles saem livres do banco dos réus

Solange Azevedo




INJÚRIA
Vera diz ter sido chamada de “macaca”
e “negra imunda” recentemente


Quando criança, a cabeleireira Vera Maria da Silva ouviu baterem palmas no portão e foi atender. “Podemos falar com a dona da casa?”, perguntaram dois vendedores de livros. Momentos depois, na presença deles, a mãe de Vera quis saber se a filha havia gostado dos livros. Os rapazes estranharam o questionamento da “dona da casa”, uma mulher branca, e um deles se voltou contra Vera: “Olha, negrinha, você não tem de dar opinião. Quem decide é a sua patroa.” Aquela foi a primeira vez que a cabeleireira lembra ter sido discriminada. Não foi a única. No mês passado, aos 59 anos, Vera diz ter sido xingada de “macaca” e “negra imunda” pelo comerciante Cláudio Kubo, de Sorocaba, no interior paulista, onde mora. Kubo sugeriu, ainda, que ela montasse “num urubu” e voltasse para a África. “Cresci ouvindo essas coisas e nunca tinha tido oportunidade de tomar providências”, conta Vera. “Duas testemunhas do crime prestaram depoimento”, afirma o delegado Fábio Cafisso. Autuado por injúria racial, Kubo foi preso em flagrante. Passou 24 horas na cadeia. Ele alega inocência.
Racismo – assim como injúria racial – é crime no Brasil desde a Constituição de 1988. Injúria é xingamento. Já o racismo fica caracterizado quando a vítima, por exemplo, é impedida de entrar em algum lugar ou preterida numa vaga de trabalho. Embora esse tenha sido um importante avanço na legislação, punir os agressores tem se mostrado complicado. Uma pesquisa do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, revela que os julgamentos de racismo e injúria racial vêm crescendo, mas o número de acusados considerados  inocentes também. Depois de passar um pente-fino nos portais dos tribunais de segunda instância de todo o País, o Laeser localizou 84 ações julgadas entre 2005 e 2006. Nos dois anos seguintes, foram 148. Enquanto no primeiro biênio os réus venceram 52,4% dos processos, em 2007 e 2008 eles levaram a melhor em 66,9%.




Em 2005, o argentino Desábato foi preso depois de
ofender Grafite, ex-jogador do São Paulo

“Juízes conservadores têm dificuldade de lidar com esses delitos e, às vezes, desqualificam a fala das vítimas”, diz Marcelo Paixão, coordenador do Laeser. “O mito da democracia racial, de que não existiria racismo no Brasil, também pode influenciar os magistrados.” Cleber Julião Costa, pesquisador do Laeser e professor de Direito da Universidade Estadual da Bahia, afirma que muitos processos são mal fundamentados porque os profissionais da área não são bem preparados para trabalhar com a temática. Por isso, na segunda instância, onde as questões técnicas têm mais peso, os réus acabam beneficiados. “Em muitos casos, o juiz muda o tipo penal de racismo para injúria qualificada. Só que o prazo para a suposta vítima propor uma ação por injúria é de 6 meses e, como o tempo de tramitação dos processos é maior do que isso, ela acaba perdendo esse direito”, relata Costa. “Mas, apesar disso, essas ações são importantes porque têm um caráter pedagógico para os réus e para a sociedade.”
Levar esses processos adiante, no entanto, pode ser penoso para as vítimas. Em 2005, durante um jogo, o ex-atacante são-paulino Grafite foi chamado de “negro de merda” e “macaco” pelo zagueiro argentino Leandro Desábato. Depois da partida, disputada no Morumbi e televisionada para vários países, Desábato foi preso em flagrante. Passou dois dias na cadeia. O episódio repercutiu mundialmente e motivou debates sobre o racismo no futebol. Menos de seis meses depois, Grafite desistiu de propor uma ação penal. “Logo depois do jogo, tinha muita gente ao meu lado”, relata Grafite à ISTOÉ. “Mas o tempo foi passando e eu fui ficando sozinho, sem apoio. Minha filha tinha 7 anos e não queria ir à escola porque ficavam perguntando o que eu ia fazer. Fiquei com raiva de ser discriminado naquele dia, mas era muito pior quando eu não era famoso. Eu vendia sacos de lixo e muita gente olhava esquisito quando via um negro batendo no portão.”

http://www.istoe.com.br/reportagens/paginar/138230_RACISMO+NOS+TRIBUNAIS/12

25 de mai de 2011

Velório de Abdias do Nascimento

             O corpo será velado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro - RJ, a partir das 18h do dia 26 de maio, até as 11h do dia 27 de maio. Logo depois, Abdias do Nascimento será cremado na Santa Casa de Misericórdia, no bairro do Cajú no Rio de Janeiro/RJ.
             Como era desejo dele, as cinzas serão jogadas na Serra da Barriga, em Alagoas, onde foi o Quilombo dos Palmares.

Mais informações no site do CEAP, pelo link

http://portalceap.org.br/imprensa/noticias/38/186-velorio-de-abdias-do-nascimento

24 de mai de 2011

LUTO - MNU Rio de Janeiro/RJ - Abdias do Nascimento







IRMÃOS E IRMÃS,

      HOJE FALECEU NOSSO MESTRE PROF.ABDIAS NASCIMENTO, MEU CORAÇÃO ESTA DE LUTO!!!

   SALVE NOSSO ANCESTRAL ABDIAS NASCIMENTO, HOJE ESTA AO LADO DE ZUMBI E DANDHARA!!

ASÉ!

MALLAK ALKEBULAN KAMMIU
COORD. MNU SEÇÃO MUNICIPAL RJ

DELIO MARTINS
COORD MNU Rio de Janeiro -RJ


BROTHERS AND SISTERS,

   PASSED AWAY TODAY OUR MASTER PROF.ABDIAS BIRTH, MY HEART IS IN MOURNING!
  SAVE OUR ANCESTRAL Abdias Nascimento, TODAY IS THE SIDE AND DANDHARA ZUMBI!

ASÉ!

Mallak Alkebulan Kammiu
COORD. MNU RJ MUNICIPAL SECTION

DELIO MARTINS
COORD MNU Rio de Janeiro -RJ










ABDIAS DO NASCIMENTO

Nascido em Franca, São Paulo, 14 de março de 1914.
Professor Emérito, Universidade do Estado de Nova York, Buffalo (Professor Titular de 1971 a 1981, fundou a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo no Centro de Estudos Porto-riquenhos).
Artista plástico, escritor, poeta, dramaturgo.

Formação acadêmica
Bacharel em Economia, Universidade do Rio de Janeiro, 1938.
Diploma pós-universitário, Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), 1957.
Pós-graduação em Estudos do Mar, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/ Ministério da Marinha, 1967.
Doutor Honoris Causa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1993.
Doutor Honoris Causa, Universidade Federal da Bahia, 2000.

Cargos Eletivos e Executivos Exercidos
Deputado federal (1983-86).
Secretário de Estado, Governo do Rio de Janeiro, Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (SEAFRO) (1991-1994).
Senador da República (1991-99). Suplente do Senador Darcy Ribeiro, assumiu a cadeira no Senado, representando o Rio de Janeiro pelo PDT em dois períodos: 1991-1992 e 1997-99.
Secretário de Estado de Direitos Humanos e da Cidadania, Governo do Estado do Rio de Janeiro, 1999. Coordenador do Conselho de Direitos Humanos, 1999-2000.

Atividades e Realizações Principais
1930-1936. Alista-se no Exército, e na capital de São Paulo participa da Frente Negra Brasileira. Participa das Revoluções de 1930 e 1932, na qualidade de soldado. Combate a discriminação racial em estabelecimentos comerciais em São Paulo.
1936. Muda para o Rio de Janeiro com o objetivo de continuar seus estudos de economia, iniciados em São Paulo.
1937. Protestando contra a ditadura do Estado Novo, é preso e condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional e cumpre pena na Penitenciária da Frei Caneca.
1938. Organiza junto com um grupo de militantes negros em Campinas, SP, o Congresso Afro-Campineiro, com o objetivo de discutir e organizar formas de resistência à discriminação racial.
1938. Diploma-se pela Faculdade de Economia da Universidade do Rio de Janeiro.
1940. Integrante da Santa Hermandad Orquídea, grupo de poetas argentinos e brasileiros, viaja com eles pela América do Sul. Em Lima, Peru, faz uma série de palestras na Universidad Mayor de San Marcos (Escola de Economia). Assiste à peça O Imperador Jones, de Eugene O'Neill, estrelada por um ator branco, Hugo D'Evieri, brochado de preto. A partir das reflexões provocadas por esse fato, planeja criar o Teatro do Negro Brasileiro ao retornar a seu país. Na Argentina, onde mora por mais de um ano, participa de movimentos teatrais com o objetivo de melhor conceitualizar a idéia do Teatro Negro.
1941. Voltando ao Brasil, é preso na Penitenciária de Carandiru, condenado à revelia por haver resistido a agressões racistas em 1936. Funda o Teatro do Sentenciado, organizando um grupo de presos que escrevem, dirigem e interpretam peças dramáticas.
1943. Saindo da prisão, procura em São Paulo apoio para a criação do Teatro do Negro. Não encontrando receptividade junto a intelectuais como o escritor Mário de Andrade, e outros, muda para o Rio de Janeiro.
1944. Funda, com o apoio de um grupo de negros e de setores da intelectualidade carioca, o Teatro Experimental do Negro (TEN). Na sede da UNE, realizaram-se os primeiros cursos de alfabetização, treinamento dramático e cultura geral para os participantes da entidade.
1945. Dirige o TEN na sua estréia no Teatro Municipal com o espetáculo O Imperador Jones, estrelado pelo genial ator negro Aguinaldo Camargo, em 08 de maio, dia da vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Daí em diante, até 1968, o TEN teve presença destacada no cenário cultural e teatral brasileiro.
1945. Com um grupo de militantes, funda o Comitê Democrático Afro-Brasileiro, que luta pela anistia dos presos políticos.
1945-46. Organiza a Convenção Nacional do Negro (a primeira plenária realizando-se em São Paulo e a segunda no Rio de Janeiro), que propõe à Assembléia Nacional Constituinte a inclusão de um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de lesa-Pátria. A iniciativa, apresentada à Assembléia Nacional Constituinte pelo Senador Hamilton Nogueira, não é aprovada.
1946. Participa da fundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no Rio de Janeiro.
1948. Funda, junto com Sebastião Rodrigues Alves e outros petebistas, o movimento negro do PTB.
1949. Organiza, com a colaboração do sociólogo Guerreiro Ramos e do etnólogo Édison Carneiro a Conferência Nacional do Negro, preparatória do 1º Congresso do Negro Brasileiro.
1949-1951. Funda e dirige o jornal Quilombo, órgão de divulgação do TEN.
1950. Realiza no Rio de Janeiro o 1º Congresso do Negro Brasileiro, evento organizado pelo TEN.
1955. Realiza o Concurso de Artes Plásticas sobre o tema do Cristo Negro, evento polêmico que mereceu a condenação de setores da Igreja Católica e o apoio do bispo Dom Hélder Câmara.
1957. Forma-se na primeira turma do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Estréia a peça de sua autoria, Sortilégio: Mistério Negro, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo.
1968. Funda o Museu de Arte Negra, que realiza sua exposição inaugural no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Encontra-se alvo de vários Inquéritos Policial-Militares e se vê obrigado a deixar o país. Convidado pela Fairfield Foundation, inicia uma série de palestras nos Estados Unidos.
1968-69. Durante um semestre, atua como Conferencista Visitante da Yale University, School of Dramatic Arts. Inicia sua atuação como artista plástico, pintando telas que transmitem os valores da cultura religiosa afro-brasileira e da luta pelos direitos humanos dos povos africanos em todo o mundo. (Ver lista de exposições abaixo).
1969-70. Convidado pelo Centro para as Humanidades da Wesleyan University (Middletown, Connecticut), participa durante um ano, com intelectuais como Norman Mailer, Norman O. Brown, John Cage, Buckminster Fuller, Leslie Fiedler, e outros, do seminário A Humanidade em Revolta.
1970. É convidado para fundar a cadeira de Culturas Africanas no Novo Mundo, no Centro de Estudos Portorriquenhos da Universidade do Estado de Nova York em Buffalo, na qualidade de professor associado, no ano seguinte titular, e lá permanece até 1981.
1973. Participa da Conferência de Planejamento do 6º Congresso Pan-Africano em Kingston, Jamaica.
1974. Participa do Sexto Congresso Pan-Africano, Dar-es-Salaam, Tanzânia, como único representante da região da América Latina.
1976-77. Convidado pela Universidade de Ife, Ile-Ife, Nigéria, passa um ano como Professor Visitante no Departamento de Línguas e Literaturas Africanas.
1976. Participa, a convite do escritor Wole Soyinka, no Seminário Alternativas para o Mundo Africano, reunião em que funda-se a União de Escritores Africanos, em Dakar.
1977. Participa na qualidade de observador, perseguido pela delegação oficial do regime militar brasileiro, do Segundo Festival Mundial de Artes e Culturas Negras e Africanas, realizado em Lagos. Denuncia, no respectivo Colóquio, a situação de discriminação racista vivida pelo negro no Brasil. Na Europa e Estados Unidos, participa da fundação, desde o exílio, do novo PTB (mais tarde, Partido Democrático Trabalhista - PDT).
1977. Participa, na qualidade de delegado e presidente de grupo de trabalho, do Primeiro Congresso de Cultura Negra nas Américas, realizado em Cáli, Colômbia.
1978. Participa em São Paulo do ato público de fundação e das reuniões organizativas do Movimento Negro Unificado contra a o Racismo e a Discriminação Racial. Participa da reunião internacional de exilados brasileiros O Brasil no Limiar da Década dos Oitenta, em Stockholm, Suécia.
1979. A convite do Bloco Parlamentar Negro (Congressional Black Caucus) do Congresso dos Estados Unidos, e do Sindicato de Trabalhadores do Correio, profere conferência na sede da Câmara dos Deputados em Washington, D.C.
1980. Participa, na qualidade de delegado especial, do Segundo Congresso de Cultura Negra das Américas, realizado no Panamá, e é eleito pelo plenário Coordenador Geral do Terceiro Congresso. No Brasil, lança o livro O Quilombismo e ajuda a fundar o Memorial Zumbi, organização nacional voltada à recuperação, em benefício da comunidade afro-brasileira e do mundo africano, das terras da República dos Palmares, na Serra da Barriga, Alagoas.
1981. Funda o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO) na PUC-SP. Integra a executiva nacional do PDT e funda a Secretaria do Movimento Negro do PDT, no Rio de Janeiro e a nível nacional. Participa da coordenação internacional do projeto Kindred Spirits, exposição itinerante de artes afro-americanas.
1982. Organiza e é eleito para presidir o Terceiro Congresso de Cultura Negra das Américas, realizado nas dependências da PUC-SP com representantes de todo o mundo africano exceto o Pacífico.
1983. Assume a cadeira de Deputado Federal, eleito suplente pelo PDT-RJ. É o primeiro deputado afro-brasileiro a exercer o mandato defendendo os direitos humanos e civis do povo afro-brasileiro. A convite da ONU, participa do Simpósio Regional da América Latina em Apoio à Luta do Povo da Namíbia pela sua Independência, em San José, Costa Rica. Visita a antiga sede da UNIA de Marcus Garvey em Limón. Viaja também a Nicarágua, participando de sessões da Assemblea Nacional e conhecendo as populações de origem africana em Bluefields, litoral oriental do país. Em Washington, D.C., participa do seminário Dimensões Internacionais: a Realidade de um Mundo Interdependente, a convite do Bloco Parlamentar Negro (Black Congressional Caucus), na sede do Congresso Nacional dos Estados Unidos.
1984. Cria, junto com um grupo de intelectuais e militantes negros, a Fundação Afro-Brasileira de Arte, Educação e Cultura (FUNAFRO), integrando o IPEAFRO, o Teatro Experimental do Negro, a revista Afrodiaspora, e o Museu de Arte Negra.
1985. A convite da ONU, participa da Simpósio Mundial em apoio à Luta do Povo da Namíbia pela sua Independência, em Nova York. Participa, novamente, de reunião internacional patrocinada pelo Bloco Parlamentar Negro dos Estados Unidos: a Conferência Internacional sobre a Situação dos Povos do Terceiro Mundo, na sede do Congresso norteamericano em Washington, D.C. Integrando comitiva oficial brasileira, visita Israel a convite do respectivo governo.
1987. Participa, na qualidade de delegado de honra,da Conferência Internacional sobre a Negritude e as Culturas Afro nas Américas, Florida International University, Miami. Integra o Conselho de Contribuintes do Município do Rio de Janeiro.
1987-88. Integra o Comitê Dirigente Internacional, Festival Pan-Africano de Artes e Cultura, Dakar, Senegal. Participa da direção internacional do Memorial Gorée, organização dedicada ao projeto de construção de um memorial aos africanos escravizados na ilha senegalesa que serviu como entreposto do comércio escravista. Integra a direção internacional do Instituto dos Povos Negros, organização internacional promovida com o apoio da UNESCO pelo governo de Burkina Faso e de outros países africanos e caribenhos.
1988. Profere a conferência inaugural da Série Anual de Conferências Internacionais W. E. B. DuBois em Accra, República de Gana, promovida pelo Centro de Estudos Pan-Africanos W. E. B. DuBois, e visita o país a convite do governo. Participa da Comissão Nacional para o Centenário da Abolição da Escravatura. Realiza exposição individual intitulada Orixás: os Deuses Vivos da África, na sede do Ministério da Educação e Cultura, o Palácio Gustavo Capanema.
1989. Na qualidade de consultor da UNESCO para assuntos culturais, passa um mês em Angola. É eleito Presidente do Memorial Zumbi e atua no Conselho de Curadores da Fundação Cultural Palmares, Ministério da Cultura. É nomeado Conselheiro representante do Município no Conselho de Contribuintes do Município do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Fazenda.
1990. A convite da SWAPO (movimento de libertação nacional transformado em partido político eleito ao primeiro governo da nação), participa da cerimônia de independência da Namíbia e posse do Governo Sam Nujoma, em Windhoek.
1990-91. Durante um ano atua como Professor Visitante, Departamento de Estudos Africano-Americanos, Temple University, Philadelphia. Acompanha Darcy Ribeiro e Doutel de Andrade na chapa do PDT para o Senado, sendo eleito suplente de senador.
1991. Assume a pasta de Secretário de Estado para a Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (SEAFRO) no Governo do Rio de Janeiro. A convite do Congresso Nacional Africano (ANC) da África do Sul, participa de sua 48a Conferência Nacional presidido por Nelson Mandela, em Durban. É nomeado membro do Conselho de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.
1991-92. Assume a cadeira no Senado. Integra a comitiva presidencial em visita a Angola, Moçambique, Zimbabwe, e Namíbia. Participa no Primeiro Congresso Internacional sobre Direitos Humanos no Mundo Africano, patrocinado pela organização não-governamental AFRIC e realizado em Toronto, Canadá.
1993-94. Retoma a Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras.
1995. Participa das atividades do Tricentenário de Zumbi dos Palmares, em vários estados e municípios do Brasil e nos Estados Unidos. Lança o livro Orixás: os Deuses Vivos da África, com reproduções de suas pinturas, texto sobre cultura e experiência afro-brasileiras, e textos críticos de diversos autores (africanos, norteamericanos, caribenhos, e brasileiros) sobre a sua obra de artes plásticas. É Patrono do Congresso Continental dos Povos Negros das Américas, realizado no Parlamento Latinoamericano em São Paulo, em comemoração ao Tricentenário da Imortalidade de Zumbi dos Palmares, 20 de novembro de 1995.
1996. Recebe da Câmara Municipal de São Paulo o título de Cidadão Paulistano.
1997. Assume em caráter definitivo o mandato de senador da República. Recebe o prêmio de Menção Honrosa de Direitos Humanos outorgado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP. Realiza exposição de pintura no Salão Negro do Congresso Nacional.
1998. Participa com um comentário ao Artigo 4º da Declaração de Direitos Humanos por ocasião do cincoentenário desse documento da ONU em 1998, incluído em volume organizado e publicado pelo Conselho Federal da OAB. Outros artigos foram comentados por personalidades como o rabino Henry Sobel, Adolfo Pérez Esquivel, Evandro Lins e Silva, Dalmo de Abreu Dallari, João Luiz Duboc Pinaud, e outros. Realiza exposição de pintura (28 telas) na Galeria Debret em Paris.
1999. Assume, como titular fundador, a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro. É homenageado pela Câmara Municipal de Salvador entre cinco personalidades do mundo africano: Malcolm X, Abdias Nascimento, Martin Luther King, Patrice Lumumba, Samora Machel.
2000. Extinta a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, preside provisoriamente o Conselho de Direitos Humanos e volta a dedicar-se às atividades de escritor e pintor. Recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia.
2001. É agraciado pelo Schomburg Center for Research in Black Culture, centro de referência mundial que integra o sistema de bibliotecas públicas do município de Nova York, com o Prêmio Herança Africana comemorativo dos 75 anos da fundação daquela instituição. A comissão de seleção dos premiados foi constituída pelo ex-prefeito de Nova York, David N. Dinkins, a poetisa Maya Angelou, o cantor Harry Belafonte, o ator Bill Cosby, a diretora da editora Présence Africaine Mme. Yandé Christian Diop, o professor Henry Louis Gates da Harvard University, a coreógrafa Judith Jamison, o cineasta Spike Lee e o reitor da Universidade das Antilhas Rex Nettleford. As outras cinco personalidades homenageadas com o prêmio em cerimônia realizada na sede da ONU foram o intelectual senegalês e ex-diretor da UNESCO M. Amadou Mahktar M'Bow, a coreógrafa e antropóloga Katherine Dunham, a ativista dos direitos civis e fundadora da Organização das Mulheres Negras dos Estados Unidos Dorothy Height, o fotógrafo Gordon Parks, e músico e fotógrafo Billy Taylor.
Convidado pela Fórum Nacional de Entidades Negras, faz o discurso de abertura da 2ª Plenária de Entidades Negras Rumo à 3ª Conferência Mundial Contra o Racismo, Rio de Janeiro, 11 de maio de 2001.
É agraciado com o Prêmio Cidadania 2001, da Comunidade Bah'ai do Brasil, conferido em Salvador em junho.
Inaugura-se em julho o Núcleo de Referência Abdias Nascimento, contra o Racismo e o Anti-Semitismo, e seu Serviço Disque-Racismo, iniciativas da Fundação Municipal Zumbi dos Palmares, Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro.
Profere discurso de abertura do 1º Encontro Nacional de Parlamentares Negros, Salvador, Bahia, 26 de julho de 2001.
Convidado pela Coalizão de ONGs da África do Sul (SANGOCO), profere palestra na mesa Fontes, Causas e Formas Contemporâneas de Racismo, Fórum das ONGs, 3ª Conferência Mundial Contra o Racismo, Durban, África do Sul, 28 de agosto de 2001.
É agraciado com a Ordem do Rio Branco, no grau de Oficial, Brasília, outubro de 2001.
É agraciado com o Prêmio UNESCO, categoria Direitos Humanos e Cultura de Paz, outubro de 2001.
2002. Lança os livros O Brasil na Mira do Pan-Africanismo (CEAO/ EdUFBA) e O Quilombismo, 2ª ed. (Fundação Cultural Palmares).
É convidado pelo Liceu de Artes e Ofícios da Bahia a ser o palestrante da segunda de suas novas Conferências Populares, continuando essa tradição centenária no seu 130o aniversário.
Participa das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra em Porto Alegre, 20 de novembro.
É homenageado pela Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia, na sua 4ª Conferência Nacional realizada em Brasília em 11 de dezembro, como personalidade destacada na história dos direitos humanos no Brasil.
Exposição Abdias do Nascimento: Vida e Arte de um Guerreiro, Centro Cultural José Bonifácio, Rio de Janeiro, inaugurada em dezembro.
2003. Discursa, na qualidade de convidado especial, na inauguração da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Brasília, 21 de março.
É homenageado pela Fala Preta! Organização de Mulheres Negras de São Paulo, como personalidade destacada na defesa dos direitos humanos dos afrodescendentes brasileiros, 22 de abril.
Publica em maio edição em fac-símile do jornal Quilombo (São Paulo: Editora 34).
Recebe o Diploma da Camélia, Campanha Ação Afirmativa/ Atitude Positiva, CEAP e Coalizão de ONGs pela Ação Afirmativa para Afrodescendentes, Rio de Janeiro, 17 de novembro.
Recebe o Prêmio Comemorativo das Nações Unidas por Serviços Relevantes em Direitos Humanos, Rio de Janeiro, 26 de novembro.
2004. No Seminário Internacional Políticas de Promoção Racial, recebe o Prêmio de Reconhecimento da Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Brasília, 21 de março de 2004.
Recebe homenagem da Presidência da República aos 90 anos "do maior expoente brasileiro na luta intransigente pelos direitos dos negros no combate à discriminação, ao preconceito e ao racismo". Brasília, 21 de março de 2004.
Recebe prêmio de Reconhecimento 10 Years of Freedom - South Africa 1994-2004, do Governo da África do Sul, abril de 2004.
Profere palestra "Memorial de Luta", no Seminário O Negro na República Brasileira: Pautas de Pesquisa, promovido pelo Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afro-Descendente da PUC-Rio, maio de 2004.
Participa do VII Congresso da BRASA, Associação de Estudos Brasileiros, na qualidade de homenageado no Painel sobre a sua vida e obra, realizado em sessão plenária do dia 10 de junho de 2004, na PUC-Rio.
Participa do Fórum Cultural Mundial, realizado em São Paulo em julho de 2004, como homenageado no painel Abdias Nascimento, um Brasileiro no Mundo, organizado pela SEPPIR, em que é lançado oficialmente o seu nome para o prêmio Nobel da Paz, ampliando a repercussão da indicação feita pelo Instituto de Advocacia Ambiental e Racial - IARA.

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Abdias Nascimento: uma vida inteira de combate ao racismo


24/05/2011 - 16:08 (Míriam Leitão)


Uma vez, numa entrevista que me concedeu, Abdias Nascimento disse que ele foi preso, enquadrado na Lei de Segurança Nacional, viveu no exílio por 10 anos, sem ter nunca integrado qualquer partido clandestino de combate à ditadura.
- Tudo o que eu fiz foi combater o racismo.
Era uma forma de mostrar que esse tema sempre foi tratado como inconveniente. Na ditadura, era proibido. Isso era subversivo o suficiente para os ditadores da época. Hoje ainda é delicado e difícil. Sua vida foi dedicada a tratar desse assunto intratável.
Como jornalista, teatrólogo, escritor, cineasta, artista plástico, senador, militou na mesma causa: construir um país realmente multiracial com a derrubada, de fato, de todas as barreiras que impedem a ascensão dos negros no Brasil.
Não um país que finge não ver as diferenças para proclamar a igualdade, mas o que constrói as pontes fortalecendo a autoestima dos pretos e pardos brasileiros e abrindo oportunidades. Foi por esse Brasil que Abdias lutou.
Abdias abriu espaços notáveis na cultura brasileira para essa sociedade com a qual sonhou por tanto tempo. Quilombo era um jornal dos anos 1950 que abriu a discussão do combate ao racismo. O Teatro do Negro foi outra iniciativa pioneira que revelou inúmeros talentos para a dramaturgia brasileira, numa época em que atores brancos pintavam o rosto de preto para fazer os papéis de negros. Na militância foi um dos fundadores do Movimento Negro Unificado.
As conversas com ele e sua mulher Elisa Larkin, americana de nascimento, eram sempre ricas de reflexões sobre velhos vícios do Brasil, como o de negar o problema.
Nos últimos anos ele viu duas notícias. A boa é que é visível a formação da classe média negra e do aumento do poder de pretos e pardos no Brasil. A ruim é que as distâncias permanecem enormes e uma parte do país prefere não discutir o tema, insiste em ficar em atalhos que fogem da questão central. A desigualdade racial ainda é enorme no Brasil.
Outro dia fui ao Sindicato dos Jornalistas do Rio no lançamento do Prêmio Abdias Nascimento. Sindicato ao qual ele se filiou em 1947.
Ele já estava doente, mas a cerimônia aconteceu ainda assim. Lá eu disse que Abdias, que tinha 97 anos, foi precursor e persistente no mesmo sonho ao longo da vida inteira: a de combater o racismo em todas as suas formas.
Fará falta Abdias, mas quem sonha com um Brasil de menos desigualdades, sabe que ele combateu o bom combate.


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Em 24 de maio de 2011 12:48, <titodoutor@bol.com.br> escreveu:

Por Dr. Tito - Comissão da Igualdade Racial - OAB.
 
Faleceu nesta manhã de terça, 24, no Rio de Janeiro, o escritor Abdias do Nascimento. Poeta, político, artista plástico, jornalista, ator e diretor teatral, Abdias foi um corajoso ativista negro...
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Lamentavelmente, não só o partido vai se partir ainda mais e perder e muito na questão racial se juntando a outras vozes não tão satisfeitas na condução em matéria específica - como deixa a História do Brasil e do Negro brasileiro órfão nesse exato momento... nossos votos de pesar à família enlutada, mas, que lute agora em outro plano... aproveite amigo dê um beijo fraterno e um forte abraço em Zumbi e continue olhando por nós e iluminando nossos passos por aqui -e nos ajude a fazer da Terra assim como o céu que acabaste de conhecer ... e nos responda com precisão , não na dúvida cruel que vivenciamos ao olhar de um menino negro jogado ao chão vitimado por novas ordens mundiais e sob o olhar passivo dos transeuntes de Madureira - de segunda à sexta-feira - na interrogação na agonia perguntando a sua própria dúvida existencial do ser ou não ter o que comer ... geme dentro de nós o menino e na sua ingênua pergunta : no céu será que tem pão? ... se não tiver , Abdias, faças tú a sagrada divisão desse sonho ocorrer e correr mais rápido com sua partida , vc. que fez existir o trigo aqui ... divida para a Terra os pães de nossa eterna guerra todas as santas manhãs - nós retribuiremos , principalmente , nas segundas onde brindaremos em bom dia teu café - Preto Velho Abdias - a CIR é vc. e seu AXÉ. Descanse meu velho Pai Mané.

19 de mai de 2011

MNU Rio de Janeiro/RJ - Ganha as ruas e Participada da Caminhada.



MNU Rio de Janeiro/RJ

 Ganha as ruas, e se faz  Presente na Caminhada pela 
 " construção do Memorial da Diáspora Africana" na Zona Portuária"

Realização CUT - RJ / Apoio IPCN
Participação dos Movimentos Sociais.

    
          Conhecido como "Cais dos Escravos", o Cais do Valongo, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, entraram centenas de milhares de escravos africanos para o Brasil. No final do século XVIII e início do século XIX o Cais se tornou a maior  entrada de escravos de todas as Américas. De acordo com  documentos históricos, foi construído em cima do “Cais dos Escravos”, um outro Cais, chamado de "Cais da Imperatriz", onde recebeu a Imperatriz Tereza Cristina Maria, para se casar com D.Pedro II. O principal objetivo da construção do Cais da Imperatriz, na verdade,  era apagar os vestígio do Cais do Valongo, considerado até então, uma vergonha para a Cidade do Rio de Janeiro.
      Conclamamos a todas e a todos do Movimento Negro a conhecerem, defenderem e se apropriarem de um verdadeiro Patrimônio dos afrodescendentes Brasileiros.

     Abaixo, vídeo e alguns links de reportagens sobre a importante descoberta.

Delio Martins
Coordenação MNU Rio de Janeiro/RJ





Glorya Ramos
Secretária de Combate ao racismo da CUT - RJ
 
Militante MNU/RJ




Roselene Sergio Ribeiro Comissão Igualdade Racial OAB/RJ e Delio Martins Coordenação MNU-RJ e CIR








Instituto Memorial Pretos Novos


No final da Caminhada a Feijoada



Mauro Viana














http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110303/not_imp686989,0.php
http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=28718859
http://africas.com.br/site/index.php/archives/11099
http://www.blogdonilmario.com.br/conteudo.php?MENU=5&LISTA=detalhe&ID=2270
http://www.rac.com.br/noticias/brasil/83729/2011/05/13/movimento-negro-promove-caminhada-no-rio.html





16 de mai de 2011

Irmãos e Irmãs,

Nossa próximo encontro TERÇA-FEIRA -17/05/11- AS 18:00HS, o local será o mesmo , ASSOCIAÇÃO MANGUEIRA VESTIBULARES (AMV), Rua Visconde de Niterói, 254, Prédio do Relógio, Morro da Mangueira, Rio de Janeiro.

Por isso peço que todos/as mantenham a mesma força e energias centradas na leitura do texto e das contribuições que...
possam trazer para esta reunião na proxima TERÇA FEIRA- 17/05, às 18:00hs.

NA REUNIÃO ESTAREMOS DISPONIBILIZANDO OS TEXTOS PARA QUEM NÃO RECEBEU!

Saudações PanAfrakan!
Asé!

Cyro Alkebulan Kammiu
Coord. MNU- Seção MunicipalRJ

14 de mai de 2011

HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA


Em 1964, a UNESCO dava início a uma tarefa sem precedentes: contar a história da África a partir da perspectiva dos próprios africanos. Mostrar ao mundo, por exemplo, que diversas técnicas e tecnologias hoje utilizadas são originárias do continente, bem como provar que a região era constituída por sociedades organizadas, e não por tribos, como se costuma pensar.

Quase 30 anos depois, 350 cientistas coordenados por um comitê formado por 39 especialistas, dois terços deles africanos, completaram o desafio de reconstruir a historiografia africana livre de estereótipos e do olhar estrangeiro. Estavam completas as quase dez mil páginas dos oito volumes da Coleção História Geral da África, editada em inglês, francês e árabe entres as décadas de 1980 e 1990.

Além de apresentar uma visão de dentro do continente, a obra cumpre a função de mostrar à sociedade que a história africana não se resume ao tráfico de escravos e à pobreza. Para disseminar entre a população brasileira esse novo olhar sobre o continente, a UNESCO no Brasil, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECAD/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), viabilizaram a edição completa em português da Coleção, considerada até hoje a principal obra de referência sobre o assunto.

O objetivo da iniciativa é  preencher uma lacuna na formação brasileira a respeito do legado do continente para a própria identidade nacional.

O Brasil e outros países de língua portuguesa têm agora a oportunidade de conhecer a Coleção História Geral da África em português. A coleção foi lançada em solenidade, em Brasília, com a presença dos ministros de Educação e Cultura.

Faça aqui o download da coleção

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Reunião - Irmãos e Irmãs,

Nossa próximo encontro TERÇA-FEIRA -17/05/11- AS 18:00HS, o local será o mesmo , ASSOCIAÇÃO MANGUEIRA VESTIBULARES (AMV), Rua Visconde de Niterói, 254, Prédio do Relógio, Morro da Mangueira, Rio de Janeiro.

Por isso peço que todos/as mantenham a mesma força e energias centradas na leitura do texto e das contribuições que...
possam trazer para esta reunião na proxima TERÇA FEIRA- 17/05, às 18:00hs.

NA REUNIÃO ESTAREMOS DISPONIBILIZANDO OS TEXTOS PARA QUEM NÃO RECEBEU!

Saudações PanAfrakan!
Asé!

Cyro Alkebulan Kammiu
Coord. MNU- Seção MunicipalRJ

9 de mai de 2011

MNU - Rio de Janeiro - RJ participará da Caminhada

 

2011, Ano Internacional do Afrodescendentes


ZONA PORTUÁRIA - RJ
Caminhada planta Memorial da Diáspora Africana, no Porto Maravilha
 

(Mauro Viana* – 8648-4736 e 7474-2116)

No dia 13 maio, representantes de várias Ong’s, sindicatos, CUT, Movimento Negro e de órgãos públicos promovem uma caminhada seguida de feijoada, na Zona Portuária, a fim de convocar a população para o debate, em torno do Memorial da Diáspora Africana, na região. A concentração está marcada para ás 17 horas, na Praça Jornal do Commercio, na rua Barão de Tefé, próximo ao Hospital dos Servidores. Na Ala de Frente virá o Afoxé Filhos de Gandhi.
A caminhada sairá 18 horas da Rua Barão de Tefé em direção à Rua Pedro Ernesto.  Instituto Pretos Novos e Centro Cultural Jose Bonifácio estão no  roteiro por abrigarem patrimônio imaterial afro-brasileiro.
A Fundação Cultural Palmares (órgão do Ministério da Cultura) através de sua representação, no Rio de Janeiro se uniu aos movimentos sociais cariocas, para garantir construção do Memorial, em meio às obras do projeto Porto Maravilha.
A recente descoberta do sítio arqueológico do Cais do Valongo injetou ânimo aos militantes, que constituíram uma comissão, exclusivamente para dialogar com as autoridades sobre o Memorial. “O Sítio Arqueológico do Valongo da é mais uma prova da Zona Portuária como porto de entrada da maioria dos africanos, nas Américas”, defende Benedito Sérgio, Representante Regional da Fundação Cultural Palmares, no Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Há 10 anos, o historiador Carlos Eugênio Líbano  pesquisa a chamada Pequena África. O resultado destas pesquisas levou o Museu Nacional e Universidade Federal do Rio de Janeiro estruturar uma equipe de arqueólogos para levantar os indícios científicos. Coordenada pela Professora Tânia Andrade Lima, as buscas arqueológicas resultaram na descoberta das peças africanas do século XIX. Os arqueólogos encontram búzios, cachimbos africanos, pedrarias, material de artesanato e confecção.
No dia 21 de março de 2011 houve o lançamento da Pedra Fundamental do Memorial da Diáspora Africana.  A data marca O Dia Internacional pela Eliminação do Racismo. Na ocasião, representantes de dezenas de organizações governamentais e não governamentais promoveram um ato simbólico no Sítio Arqueológico do Cais do Valongo. O movimento em favor do Memorial da Diáspora Africana lança a Carta do Valongo, no dia 17 de março.
Os trabalhos prosseguem em sucessivas reuniões em abril dias 11, 18, 24 e 27) e 3 de maio.

Anote as entidades participantes:
Cedine (Conselho Estadual do Direito do Negro),
Ceppir (Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura do Rio de Janeiro), Fundação Palmares do Ministério da Cultura, Instituto Pretos Novos, Projeto Comunicar, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Comdedine
 ( Conselho Municipal do Direito do Negro da Prefeitura do Rio de Janeiro), IPCN (Instituto de Pesquisa de Cultura Negra), Assores ( Associação Cultural República do Samba), Estimativa, Ceap (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas), Centro Sócio-Cultural Zé Ketty, Centro de Produção Fotográfica Quilombo 32, CUT  (Central Única dos Trabalhadores), Incubadora Afro-brasileira, IPDH (Instituto de Palmares de Direitos Humanos), Afro-Brasil Turismo, Gabinete do Deputado Gilberto Palmares, ArquiPedra (Associação do Quilombo Pedra do Sal), Unegro, 100% África , Centro Afro-Carioca  de Cinema, Suppir (Superintendência de Promoção da Igualdade - Secretaria de Direitos Humanos).

* Mauro Viana é jornalista   

8 de mai de 2011

Assunto: Homenagem Dia das Mães de Silvana Veríssimo




Mãe negra...

Mãe negra de pura alma,
alma cheia de segredos,
mistérios e venturas...
Mãe guerreira,
como as d'outras terras
que também são as tuas...
Mãe meiga,
Mãe candura,
Mãe doçura!
Mãe mistérios,
Mãe força natural e pura!
Mãe venturosa,
Mãe força na lide de viver,
de vencer as dificuldades,
as adversidades da vida
dos tempos de agora!
Mãe querida,
que em tuas noites mais escuras,
nos dias mais tortuosos,
Oxalá lhe estenda Suas luzes radiosas!
E o banhar-se nas águas de Oxúm,
mansas e cristalinas,
lhe retire as dores de tuas costas...
E as de teu coração também possa!
Inhançã varra tuas estradas,
com suas abençoadas forças,
retirando de teus passos
as folhas mortas... Os perigos... As armadilhas...
Feitas por quem nem te entende e nem gosta!
Ossanha forre estes teus caminhos
com outras folhas novas,
mais macias e perfumosas!
Oxumaré a proteja dos inimigos
que tenham se escondido em moitas próximas...
E tanto as viboras quanto seus venenos leve embora!
Omulu cure tuas chagas,
mesmo aquelas que lhe inflingimos
com as faltas nossas!
Que sua alma possa percorrer em paz
os seus caminhos d'alma,
na procura incessante do bem para nós!
Iemanjá possa com as forças de suas vagas,
indicar-lhe sempre os caminhos
nos oceanos de vida,
que por ela existem em todos nós...
E quando teu navegar-caminhar, Mãe andarilha,
te colocar nos picos das montanhas
possa Eua insuflar em teu ser, tua alma, teu peito
o mais puro ar das montanhas...
E que se renove tuas forças!
E que renovada por ela viva...
Solta!
Plena!
Como um pássaro livre e solto,
Águia sob o firmamento,
a ofuscar o sol,
a ofuscar as estrelas!
Oh! Mãe! De minhas vidas inteiras
quando correrdes pelas pradarias,
tenha as armas de Ogúm no peito!
As de Xangô á mostra na mão direita e na esquerda!
Para que não tombes nas guerras que enfrentas!
Para enfim, num plácido e cálido momento,
sorrir,
brincar,
sentir-se Ibejí...
Sem mácula!
Sem rancor!
Sem medos!
É o tempo, o tempo que se renova...
Te renova!
No seguir inclemente das horas
sejas sempre a Mãe negra de alma pura,
que traz paz a tudo que toca
e em tudo vê luz, vida e encantamentos!

7 de mai de 2011

2011, Ano Internacional do Afrodescendente - ONU


ZONA PORTUÁRIA - RJ
Caminhada planta Memorial da Diáspora Africana, no Porto Maravilha
 

(Mauro Viana* – 8648-4736 e 7474-2116)

No dia 13 maio, representantes de várias Ong’s, sindicatos, CUT, Movimento Negro e de órgãos públicos promovem uma caminhada seguida de feijoada, na Zona Portuária, a fim de convocar a população para o debate, em torno do Memorial da Diáspora Africana, na região. A concentração está marcada para ás 17 horas, na Praça Jornal do Commercio, na rua Barão de Tefé, próximo ao Hospital dos Servidores. Na Ala de Frente virá o Afoxé Filhos de Gandhi.
A caminhada sairá 18 horas da Rua Barão de Tefé em direção à Rua Pedro Ernesto.  Instituto Pretos Novos e Centro Cultural Jose Bonifácio estão no  roteiro por abrigarem patrimônio imaterial afro-brasileiro.
A Fundação Cultural Palmares (órgão do Ministério da Cultura) através de sua representação, no Rio de Janeiro se uniu aos movimentos sociais cariocas, para garantir construção do Memorial, em meio às obras do projeto Porto Maravilha.
A recente descoberta do sítio arqueológico do Cais do Valongo injetou ânimo aos militantes, que constituíram uma comissão, exclusivamente para dialogar com as autoridades sobre o Memorial. “O Sítio Arqueológico do Valongo da é mais uma prova da Zona Portuária como porto de entrada da maioria dos africanos, nas Américas”, defende Benedito Sérgio, Representante Regional da Fundação Cultural Palmares, no Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Há 10 anos, o historiador Carlos Eugênio Líbano  pesquisa a chamada Pequena África. O resultado destas pesquisas levou o Museu Nacional e Universidade Federal do Rio de Janeiro estruturar uma equipe de arqueólogos para levantar os indícios científicos. Coordenada pela Professora Tânia Andrade Lima, as buscas arqueológicas resultaram na descoberta das peças africanas do século XIX. Os arqueólogos encontram búzios, cachimbos africanos, pedrarias, material de artesanato e confecção.
No dia 21 de março de 2011 houve o lançamento da Pedra Fundamental do Memorial da Diáspora Africana.  A data marca O Dia Internacional pela Eliminação do Racismo. Na ocasião, representantes de dezenas de organizações governamentais e não governamentais promoveram um ato simbólico no Sítio Arqueológico do Cais do Valongo. O movimento em favor do Memorial da Diáspora Africana lança a Carta do Valongo, no dia 17 de março.
Os trabalhos prosseguem em sucessivas reuniões em abril dias 11, 18, 24 e 27) e 3 de maio.

Anote as entidades participantes:
Cedine (Conselho Estadual do Direito do Negro),
Ceppir (Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura do Rio de Janeiro), Fundação Palmares do Ministério da Cultura, Instituto Pretos Novos, Projeto Comunicar, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Comdedine
 ( Conselho Municipal do Direito do Negro da Prefeitura do Rio de Janeiro), IPCN (Instituto de Pesquisa de Cultura Negra), Assores ( Associação Cultural República do Samba), Estimativa, Ceap (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas), Centro Sócio-Cultural Zé Ketty, Centro de Produção Fotográfica Quilombo 32, CUT  (Central Única dos Trabalhadores), Incubadora Afro-brasileira, IPDH (Instituto de Palmares de Direitos Humanos), Afro-Brasil Turismo, Gabinete do Deputado Gilberto Palmares, ArquiPedra (Associação do Quilombo Pedra do Sal), Unegro, 100% África , Centro Afro-Carioca  de Cinema, Suppir (Superintendência de Promoção da Igualdade - Secretaria de Direitos Humanos).

* Mauro Viana é jornalista   

2 de mai de 2011

30 de Abril – Dia Nacional da Mulher

      O 30 de abril é lembrado como Dia Nacional da Mulher. Foi no dia 30 de abril que nasceu a fundadora do Conselho Nacional das Mulheres, Sra. Jerônima Mesquita, filantropa e foi escolhido o dia de seu nascimento para se comemorar o Dia Nacional da Mulher. Instituída sob a Lei nº 6.791 de 9 de junho de 1980, pelo presidente João Figueiredo, a data surge depois que a Ditadura Militar (1964-1984) proibiu as comemorações do Dia Internacional da Mulher (8 de março) – uma data de origem socialista – instituída pelas Nações Unidas. No dia 8 de março de 1857, as operárias têxteis de  Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução da carga horária de trabalho de mais de 16 horas por dia para 10 horas e equiparação salarial com os homens que desempenhavam igual função. As operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica pelos patrões, que trancaram as portas da fábrica, ateando fogo no local e  129 mulheres morreram queimadas e asfixiadas. Em 1910, na II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhague, Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, a comemoração do 8 de março como "Dia Internacional da Mulher". Após a proibição oficial, os governantes da época se viram obrigados a demonstrar simpatia pela luta das mulheres por direitos quando a ONU decretou a Década da Mulher de 1975 a 1985. A data do 8 de março marca a luta das mulheres pela igualdade de direitos. O século passado foi marcado pela luta pelos direitos das mulheres negras e não-negras, negros e demais segmentos discriminados na sociedade. Porém, pouco se divulgam organizações de mulheres negras. Duas delas fizeram parte do TEN (Teatro Experimental do Negro): a Associação das Empregadas Domésticas e o Conselho Nacional de Mulheres Negras, criado em 18 maio de 1950 por Maria de Lurdes Vale Nascimento. 
A luta das mulheres negras ainda é grande no nosso país. As mulheres negras compõem uma das maiores categorias de trabalhadoras da nação, a das domésticas, sendo discriminadas, exploradas e submetidas a uma intensa jornada de trabalho e são oprimidas, inclusive, por mulheres, quando empregadoras, que desrespeitam direitos, descumprindo-os. As mulheres negras da zona rural, cuja maioria vive em comunidades negras rurais quilombolas, no Maranhão, sofrem com a falta de condições mínimas de sobrevivência.
As relações escravistas ainda permeiam as relações de trabalho e inclusive pessoas, dentre elas mulheres, com cargos e nível de instrução elevados na sociedade maranhense oprimem muitas trabalhadoras, principalmente as domésticas.
As Convenções contra todas as formas de discriminação sejam da mulher ou de outros segmentos, adotadas pelo Brasil, estão longe de serem cumpridas.
Ainda há um longo caminho a se percorrer em busca de respeito, dignidade, valorização profissional da mulher negra, que continua sendo o esteio familiar. Se quisermos uma sociedade realmente justa, devemos lutar:
-          Pelo fim da discriminação racial no trabalho;
-          Contra a exploração sexual, social e econômica da mulher negra;
-          Por condições de vida digna para o povo negro.
Conscientize-se e Reaja à Violência Racial! Não silencie frente à violência e opressão!
Viva Luíza Mahin, Lélia Gonzalez, Maria Firmina dos Reis, Mãe Andresa, Laudelina Campos Melo, Antonieta de Barros e todas as guerreiras que abriram o caminho para nossa luta!

Comissão de Mulheres do Movimento Negro Unificado – MNU
Movimento Negro Unificado – MNU
e-mail:
mnu.ma@bol.com.br - site: http://movimentonegrounificadomnu.blogspot.com

1 de mai de 2011

REUNIÃO DO MEMORIAL VALONGO

PRÓXIMA REUNIÃO NO IPCN
03 DE MAIO A PARTIR DAS 17 H
 
A localização de um antigo Cais, a mais ou menos 1,5 m de profundidade na Região denominada Valongo, traz a tona uma História que as elites brasileiras sempre tentaram encobrir, primeiro com a construção sobre ele do Cais da Imperatriz e, posteriormente, nas primeiras décadas do Século XX, com o aterro do mar a sua frente para a grande reforma da Zona Portuária e a abertura da atual Avenida Barão de Teffé, com acesso às ruas Camerino e Sacadura Cabral. Com isto, tudo indicava que o "trabalho" tinha sido perfeito. Como num passe de mágica estavam apagadas para sempre, grande parte de nossas orígens históricas.
Transformado em corredor de passagem, o local do desembarque da maioria de africanos, capturados na África para serem escravizados nas Américas, inclusive após a proibição do tráfico, ficaria soterrado para sempre, obra que seria completada com  misterioso sumiço dos documentos da época, em sendo assim, nenhuma outra referência restaria para o Negro Brasileiro daquele período.
Quase um século depois, numa intervenção de vulto ainda maior, rompe-se definitivamente com esse período de trevas e uma  grande luz volta a brilhar sobre a Região, como se tudo voltasse a sua ordem natural. Novamente lá estão os que sobreviveram ou não da trágica viagem; os primeiros trabalhadores brasileiros com o seu primeiro Sindicato e sua primeira greve dos carregadores do porto - Aniceto; na escadaria esculpida na rocha para compartilharem da imensa dor de serem tratados como animais - na Pedra do Sal, transformam tudo em pura arte. Os estivadores todos reincorporados, recriam os primeiros sambas - Donga João da Baiana, Heitor dos Prazeres e tantos outros; Dom Obá II em audiência com o Imperador reclama dos maus tratos impostos aos negros da região; Machado de Assis, desce novamente suas ladeiras para ser o maior escritor brasileiro de todos os tempos e fundador da Academia Brasileira de letras. Uma poderosa tsunami surge a distância para acordar as gerações atuais, órfãs por uma trama deliberada de todas essas raízes, muitas delas presentes nos raros livros de Lima Barreto.
Diante de tudo isso a população do Rio de Janeiro não pode se omitir e começam as primeiras iniciativas contra esse possível novo soterramento. No dia 17 de março de 2011 de 2011 é lançada a Carta do Valongo com a proposta da criação no local de um Memorial da Diáspora Africana, assinada por representantes das três esferas de governo e representantes da sociedade civil, seguida de reuniões sucessivas (11, 18, 24 e 27 de abril) para dar sustentação a proposta, ficando decidida uma grande manifestação no local no DIA 13 de Maio, com marcação anterior de uma agenda com autoridades da Prefeitura para apresentação do projeto de preservação do prédio Docas D Pedro II, uma construção de André Rebouças.
Inteligentemente divididos em duas frentes, uma na esfera oficial Fundação Cultural Palmares, CEDINE, SUPPIR E CEPPIR e, outra junto à sociedade civil IPCN, CUT RJ, UNEGRO, 100 ÁFRICA, ESTIMATIVA, INCUBADORA AFRO BRASILEIRA, CEAP, ARQUIPEDRA, COMDEDINE, REPÚBLICA DO SAMBA, GABINETE DO DEP. GILBERTO PALMARES, CENTRO CULTURAL DO QUITUNGO, AFRO BRASIL TURISMO, seguem as discussões a procura da melhor maneira de referenciarmos nossa história e nossos antepassados.
As reuniões que ja foram realizadas na Palmares Rio e DAPIBGE, quando conjuntas, para discussão apenas da Sociedade Civil, foram transferidas para a sede do IPCN - Avenida Mem de Sá 208, junto à Cruz Vermelha. A próxima está marcada para a  terça-feira, 05 de maio de 2011, a partir das 17 horas. Compareça! Convoque a nossa gente! Venha reescrever a nossa História!